03 dez 2018

O Brasil está enfrentando o pior surto de febre amarela desde 1980. Em São Paulo desde o início do ano foram registrados 502 casos da doença, sendo 175 mortes.

O surto começou no final de 2016 e dados mostram que esse ano houve um aumento de casos confirmados, fato que se deve à doença estar atingindo também regiões metropolitanas com contingente populacional maior e áreas onde a vacina não havia sido recomendada.

 

Com cobertura vacinal abaixo da meta de 95%, o Estado de São Paulo está intensificando a campanha para evitar uma nova explosão de casos e mortes.

 

A chegada do período mais quente do ano, quando ocorrem as férias escolares e as festas de final de ano, coincide com a época de maior risco de contrair a febre amarela.

Com cobertura vacinal abaixo da meta de 95%, o Estado de São Paulo está intensificando a campanha para evitar uma nova explosão de casos e mortes especialmente entre as pessoas que vão para o litoral – pela primeira vez desde o aparecimento dos casos, a região terá o vírus circulando durante o verão.

“Sabíamos que ia chegar ao Litoral Norte. No verão passado, a gente já tinha a certeza de que o vírus iria chegar à Mata Atlântica e incluímos, nos 54 municípios (que passaram a ter recomendação para a vacina), todo o Litoral Norte e a Baixada Santista. A entrada se antecipou com a chegada do vírus pelo Rio de Janeiro e começou entre março e abril deste ano”, relata Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde.

A preocupação da pasta e dos municípios é com a grande quantidade de pessoas que deve visitar áreas de risco e que precisa estar imunizada ao menos dez dias antes de chegar às regiões. “São locais que têm Mata Atlântica densa, ecoturismo forte e que as pessoas procuram no período de férias. O risco da febre amarela não está dentro de casa, como acontece com o Aedes aegypti, está na área de mata para quem não foi vacinado.”

No Estado, a cobertura vacinal é de 65%, mesmo com a campanha em andamento, que vacinou 8 milhões de pessoas neste ano e 7,4 milhões no ano passado. A campanha continua em todos os municípios.

A doença é transmitida por mosquitos silvestres e, neste ano, 502 pessoas contraíram o vírus no Estado (casos autóctones), das quais 175 morreram. No Litoral Norte, já foram contabilizados 14 casos com cinco mortes nos municípios de São Sebastião e Ubatuba. Já na Baixada Santista, foram quatro casos com três óbitos em Itanhaém, Peruíbe e no Guarujá. Em alguns desses municípios, a meta de vacinação já foi superada, caso de Caraguatatuba (99%) e Ubatuba (97%).

O arquiteto de inteligência de negócios Carlos Handerson Araújo Marques, de 31 anos, está com duas viagens marcadas para o final do ano e quer tomar a vacina ainda nesta semana. “Vou passar o Ano-novo em Ubatuba e estou preocupado.”

O risco de infecção ao visitar uma área de risco sem estar imunizado é real. No caso da capital, onde apenas 58,5% da população está vacinada, a maioria dos casos contabilizados neste ano foi contraída em outras localidades. “Em 2017, só tivemos casos importados. Foram pessoas que foram para áreas de risco e se contaminaram. Em 2018, no total, são 120 casos de febre amarela e 107 foram importados.

A maioria foi de pessoas que foram para Mairiporã e Atibaia”, afirma a coordenadora de imunização da Secretaria Municipal de Saúde Maria Lígia Nerger. Entre as pessoas que tiveram a doença neste ano, 28 morreram. No ano passado, foram 14 mortes. “A febre amarela é de circulação nos meses quentes e chuvosos, como é o verão, e a gente precisa vacinar a população antes da circulação do vírus. Existe uma preocupação maior com as pessoas que vão viajar para áreas de risco.”

Fontes: https://noticias.r7.com/saude/litoral-de-sp-tera-1-verao-com-circulacao-do-virus-da-febre-amarela-26112018

https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,com-723-casos-e-237-mortes-surto-de-febre-amarela-ja-e-pior-do-que-o-anterior,70002209823 

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