21 mar 2018

Câncer: por que queremos a cura, mas resistimos à prevenção?

Especialista ressalta a importância da vacina contra o HPV e questiona a falta de foco na prevenção dos tumores

Ouvimos e repetimos a vida toda o sonho das gerações passadas de um dia chegar à cura do câncer. Mas um fenômeno intrigante e – por que não? – incoerente é o fato de que, hoje, temos um método preventivo contra vários tipos dessa doença, e grande parte das pessoas parece não dar importância a isso. Estou falando da vacina contra o HPV – o papiloma vírus humano.

Causador do câncer de colo do útero, esse inimigo também é associado aos tumores de vulva, ânus, pênis e boca, além de provocar verrugas na área genital, laringe e ânus. Desde 2014, a vacina quadrivalente contra o HPV está na rede pública para meninas (de 9 a 14 anos). Ela também é oferecida para homens e mulheres de 9 a 26 anos com HIV/Aids e para indivíduos imunodeprimidos (pessoas submetidas a transplantes ou pacientes com câncer, por exemplo).

No início desse programa de vacinação, quando a primeira dose foi disponibilizada dentro das escolas públicas e privadas, a adesão foi extremamente positiva, atingindo 100% do público de meninas entre 12 e 14 anos, para quem a imunização foi oferecida naquele momento. Já a segunda dose, que deveria ter sido administrada após seis meses, não contou com a participação das escolas. Resultado: a procura pela vacina nos postos de saúde teve menos da metade da adesão.

Fonte: Saúde Abril
Link: https://saude.abril.com.br/blog/com-a-palavra/cancer-por-que-queremos-a-cura-mas-resistimos-a-prevencao/

13 mar 2018

Lollapalooza 2018: Secretaria de Saúde recomenda que público tome a vacina contra a febre amarela

Autódromo de Interlagos é um dos 24 distritos com recomendação para a imunização

O Estado de S.Paulo

12 Março 2018 | 17h15

Em um comunicado oficial, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) recomenda que quem for ao festival Lollapalooza nos dias 23, 24 e 25 de março no Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo, tome a vacina contra a febre amarela.

Lollapalooza
É importante que a vacina seja aplicada com até dez dias de antecedência Foto: Serjão Carvalho/Estadão

A região do Autódromo de Interlagos é um dos 24 distritos com recomendação para a imunização contra a doença. Vale lembrar que a vacina precisa ser aplicada com até dez dias de antecedência. Esse é o período mínimo para que ela faça efeito.

Leia o comunicado:

“A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de São Paulo recomenda para quem vai curtir o Festival Lollapalooza, nos dias 23, 24 e 25 de março, tomar a vacina contra a febre amarela com, no mínimo, 10 dias de antecedência. O evento acontecerá no Autódromo de Interlagos, em Cidade Dutra, um dos 24 distritos com recomendação para a imunização contra a doença e que, por isso, integra a segunda fase da campanha de vacinação contra a febre amarela no município.

A orientação aos moradores da capital que ainda não foram imunizados e que pretendem ir ao festival é procurar uma unidade de referência para viajante ou um dos postos que esteja participando da atual fase da campanha. É importante lembrar que 10 dias é o tempo mínimo para que a vacina faça efeito.

Para quem não reside na capital paulista, é importante já tomar a vacina antes da viagem, uma vez que é necessário o tempo para que de fato ocorra a imunização”, diz o comunicado.

Para receber a dose na capital paulista, é importante apresentar a pulseira ou o comprovante de compra de acesso ao festival na unidade de saúde bem como o cartão SUS, além de comprovante de identidade. A lista das unidades que estão vacinando pode ser acessada aqui“, diz o comunicado.

Fonte: Estadão

http://cultura.estadao.com.br/noticias/musica,lollapalooza-2018-secretaria-de-saude-recomenda-que-publico-tome-a-vacina-contra-a-febre-amarela,70002224085

21 fev 2018

O Ministério da Saúde atualizou a situação da febre amarela no Brasil e definiu uma nova estratégia para a vacinação contra a doença. A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues, explica qual é a diferença entre a dose fracionada e a dose padrão.

“Dose fracionada é você transformar uma dose padrão, que hoje é composta por 0,5ml em cinco frações. Então eu transformo uma dose de 0,5ml em cinco doses de 0,1ml. O que é importante que a população saiba? Que essa dose padrão, que tem 0,5ml, como essa dose fracionada que tem 0,1ml, tem a mesma potência, a mesma eficácia e a mesma segurança. Nós temos estudos na qual demonstram que a eficácia da vacina, tanto da dose padrão quanto na dose fracionada é a mesma. Por tanto a população pode receber essas duas apresentações porque ela estará protegida contra febre amarela”.

Fonte: Brazil News

19 jan 2018

É uma doença infecciosa febril ictero-hemorrágica aguda e prevenível por vacinação. É uma doença mantida na natureza entre primadas não humanos e os mosquitos silvestre, podendo atingir o ser humano quando entra em contato com áreas de transmissão desse vírus. No caso do Brasil, último caso de febre amarela urbana foi relatado em Sena Madureira- Acre em 1942. Desde então, só temos casos de febre amarela silvestre, ou seja, aquela que se pega entrando em contato com mosquitos silvestres onde ocorre casos em primatas. É um vírus existente somente na África e América do Sul, causada pelo vírus família Flaviviridae, o mesmo da Dengue. No Brasil, é transmitida por picada do mosquito Haemagogus e Sabethes

Sintomas

A espectro da doença é bem variável, podendo não manifestar sintomas até ser fatal. Os sintomas manifestam-se entre 3 a 7 dias após a picada do mosquito, podendo causar desde sintomas leves como febre, dor no corpo, dor de cabeça e mal estar até sintomas graves como icterícia (amarelamento de pele e mucosas), hemorragias até coma.

Tratamento

Não existe tratamento especifico, somente suporte. Formas graves tem necessidade de UTI.

Prevenção

A vacinação ainda é a forma mais fácil e efetiva de prevenir. A vacina é segura e disponibilizada pelo SUS ou na rede privada. A chance de desenvolver efeitos graves é de 0,4 casos em 100mil doses da vacina. A recomendação atual é de apenas 1 dose (0,5 ml) para toda vida e está indicada para todas as pessoas maiores que 9 meses que moram ou viajam para áreas onde há transmissão da doença e que não tenham contra-indicações. Segundo a OMS, todo Brasil tem recomendação de vacinação, exceto toda faixa litorânea e alguns Estados do Nordeste e algumas áreas do Sul. Todo o Estado se São Paulo foi recentemente incluído. Não se deve vacinar crianças menores que 9 meses, gestantes ou mães que estejam amamentando menores de 6 meses, anafilaxia a ovo e pacientes imunossuprimidos de qualquer natureza ou que estejam em uso de alguns medicamentos imunossupressores como quimioterápicos, imunomodulares ou corticoides. Idosos devem ser avaliados caso a caso.

Vale lembrar que até o momento, não existe febre amarela urbana no Brasil, todos os casos confirmados tiveram contato com áreas silvestres.

16 jan 2018

Para ler o documento original, clique aqui.

NOTA TÉCNICA – VACINA DENGUE – 19/12/2017 

A Dengue é a arbovirose de maior impacto em saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) houve um aumento de casos notificados na década de 1996-2005, de 0,4 para 1,3 milhões, atingindo 2,2 milhões em 2010 e 3,2 milhões de casos em 2015. Estima-se que ocorram anualmente no mundo cerca de 50 a 100 milhões de casos sintomáticos, 3,2 milhões de casos graves e 9 mil mortes, a maioria ocorrendo em países em desenvolvimento1.

Em dezembro de 2015 a primeira vacina dengue (Dengvaxia® – Laboratório Sanofi Pasteur) foi licenciada no Brasil e outras agências regulatórias de vários países da Ásia e América Latina também aprovaram seu uso. Até o momento a vacina está licenciada em 19 países2.

Trata-se de uma vacina de vírus vivos atenuados, recombinante, quimérica, que utiliza como estrutura básica o vírus vacinal da febre amarela (cepa 17D) com substituição dos genes responsáveis pela codificação das proteínas de pré-membrana (prM) e do envelope (E) por aqueles de cada um dos quatro sorotipos dos vírus dengue nesta matriz3.

Os perfis de segurança e eficácia para os quatro sorotipos foram demonstrados em vários ensaios clínicos, especialmente os de fase 3, na Ásia e América Latina (CYD 14 e 15, respectivamente), que envolveram mais de 30.000 crianças e adolescentes de 2 a 16 anos de idade4,5,6.

Como qualquer nova vacina algumas questões-chave como: efetividade, duração de proteção induzida pela vacina, necessidade de doses de reforço, possibilidade de proteção indireta, eventos adversos raros, segurança em longo prazo e análise de custo efetividade precisam ser melhores compreendidos através de estudos de seguimento (fase tardia) e pós-licenciamento (fase 4).

A dengue tem uma complexidade de fatores que são determinantes na avaliação da eficácia e segurança de vacinas candidatas contra a doença: epidemiológicos, distribuição de sorotipos, soroprevalência na população, diferentes eficácias por sorotipos e eventual possibilidade de indução de formas mais graves da doença após a vacinação de indivíduos não expostos previamente (naïve) – exacerbação da doença dependente de anticorpos – ADE do inglês “antibody-dependent-enhancement” – quando esses forem infectados posteriormente pelo vírus da dengue7.

A OMS, em seu position paper de 2016, preconiza que o uso da vacina dengue, hoje disponível, deva ser considerado somente em regiões de alta endemicidade da doença, sendo que o melhor benefício da imunização ocorrerá em localidades onde a soroprevalência para dengue, nos grupos etários alvo da vacinação, seja superior a 70%. Em locais com taxas entre 50 e 70% seu uso pode ser aceitável, embora o impacto do programa possa ser menor. A utilização da vacina em populações com soroprevalência inferior a 50% não é recomendada8.

Essa orientação, baseada em critérios de soroprevalência, é feita em função do diferente desempenho da vacina em soronegativos (naïve para dengue) comparada com soropositivos (previamente expostos à dengue) no momento da vacinação, e o potencial risco em longo prazo de dengue grave nesses indivíduos8.

No estudo CYD 14, envolvendo 10.275 crianças e adolescentes de 2 a 14 anos de idade na Ásia (Indonésia, Malásia, Tailândia, Filipinas e Vietnã), durante o terceiro ano de acompanhamento, observou-se um maior risco de hospitalização por dengue no grupo de crianças de 2 a 5 anos de idade que receberam a vacina Dengvaxia® em comparação ao grupo controle9.

Não se conhecia, até então, se este risco aumentado no grupo de crianças de 2 a 5 anos estava relacionado à faixa etária, ao status sorológico ou ambos os fatores. A hipótese mais plausível sugeria que a vacinação induziria um prime no sistema imune similar ao induzido após uma primo-infecção pelo vírus da dengue, oferecendo uma proteção de curto período após a vacina, que seria seguida de uma perda de

imunidade protetora com o tempo. Ainda de acordo com esta hipótese, entre os soronegativos vacinados, a resposta à primeira infecção natural após a vacinação (quando já estivesse na fase de perda de imunidade protetora) desempenharia um papel igual ao observado em uma segunda infecção, propiciando desta forma um maior risco de indução de formas graves da doença. Já na vacinação de soropositivos, quando ocorresse a primeira infecção após a vacinação, a resposta seria similar àquela observada em infecções pós-secundárias (ou seja, na terceira e quarta infecções), quando praticamente não há maior risco de formas graves da doença.

Recentemente foram apresentados dados de uma avaliação complementar, feita pelo próprio laboratório Sanofi Pasteur, que permitiu distinguir os resultados de segurança e de eficácia da vacina de acordo com o status sorológico prévio à vacinação num grupo maior de indivíduos, através de avaliação sorológica, por novo método laboratorial, feita ao término do esquema vacinal (um mês após a terceira dose da vacina). Nessa reanálise dos dados, em indivíduos de todos os grupos etários, soronegativos, vacinados com a vacina Dengvaxia®, observou-se um maior risco de hospitalização por dengue e dengue clinicamente grave ou com sinais de alarme, quando comparado aos participantes do grupo controle10.

Essa avaliação, ainda que preliminar, sugere que aproximadamente 5 casos adicionais de hospitalização e 2 casos adicionais de dengue grave (segundo critérios da OMS – 1997) ocorram para cada mil crianças e adolescentes de 2 a 16 anos de idade soronegativos vacinados, em um segmento de 5 anos, quando comparadas ao risco em não vacinados10.

Essa mesma avaliação projeta o benefício e a segurança da vacinação de indivíduos previamente expostos (soropositivos), onde estima-se uma redução de 15 casos de hospitalização e 4 casos de dengue grave para cada mil vacinados durante o mesmo período de seguimento10.

Os dados reportados motivaram a Agência de Vigilância Sanitária do Brasil (Anvisa) a revisar a bula do produto, incluindo, em precauções, a recomendação da não utilização da vacina em indivíduos soronegativos11.

As Filipinas, país que introduziu a vacinação em seu sistema público em três regiões desde 2016, suspendeu temporariamente seu programa de imunização. No Brasil, o Paraná, que incorporou a vacina em 2016, em 30 municípios com alta incidência da doença, no momento, não fará alterações em seu programa de vacinação.

As Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm), Pediatria (SBP), Infectologia (SBI) e Medicina Tropical (SBMT) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), em conjunto, e com o intuito de orientar seus associados e a comunidade médica em geral, recomendam:

1) A vacina Dengvaxia® não deve ser administrada em indivíduos que não tenham sido previamente infectados pelo vírus da dengue.

2) Aqueles que iniciaram e ainda não completaram o esquema vacinal e desconheciam seu status sorológico prévio à vacinação, devem ter sua avaliação individualizada, já que não se dispõem de dados sobre o risco maior de doença grave de acordo com o número de doses recebidas. Fatores como as características da doença na região onde o paciente vive, a intensidade da transmissão e a idade devem ser considerados na decisão da continuidade ou não do esquema vacinal.

3) A avaliação da utilização da vacina em programas públicos passa a merecer outro olhar, o da avaliação de risco e benefício. Em regiões de alta endemicidade o benefício da imunização pode superar o risco atribuível da vacinação de soronegativos, uma vez que infecções pós-primárias deverão ocorrer independentemente da vacinação.

4) A introdução da vacina dengue em programas públicos torna-se um desafio ainda maior, já que estudos epidemiológicos passam a desempenhar um papel crucial nessa decisão e locais com intenção de introduzir esta vacina dengue devem avaliar sua capacidade de monitorar e avaliar a eficácia e segurança da vacina e, se necessário e possível, aprimorar seus sistemas de vigilância e sistemas de monitorização existentes, especialmente em países de renda média e baixa.

5) Os indivíduos soronegativos para dengue e/ou sem conhecimento prévio do seu status sorológico que foram vacinados devem ser monitorados com maior atenção. Caso algum destes indivíduos vacinados apresente sinais e sintomas sugestivos de dengue, o acesso aos serviços médicos deve ser priorizado para que recebam das equipes médicas uma avaliação e manejo adequados, minimizando desta forma o risco de complicações.

Essas recomendações estão alinhadas com a recente publicação feita pelo Comitê Consultivo Global da OMS sobre Segurança de Vacina (GACVS da sigla em inglês – Global Advisory Committee on Vacine Safety) sobre Dengvaxia®12.

Referências 

1) Dengue: datos, mapas y estadísticas. Organización Panamericana de la Salud. Disponível em: http://www.paho.org/hq/index.php?option=com_topics&view=readall&cid=3274&Itemid=40734&lang=es Acesso em 19/12/2017.

2) Updated Questions and Answers related to information presented in the Sanofi Pasteur press release on 30 November 2017 with regards to the dengue vaccine Dengvaxia®. World Health Organization (WHO) 30th November 2017. Disponível em: http://www.who.int/immunization/diseases/dengue/q_and_a_dengue_vaccine_dengvaxia/en/ Acesso em 12/12/2017.

3) Sabchareon A et al. Protective efficacy of the recombinant, live-attenuated, CYD tetravalent dengue vaccine in Thai school children: a randomised, controlled phase 2b trial. Lancet. 2012; 380: 1559–1567.

4) Capeding MR et al. Clinical efficacy and safety of a novel tetravalent dengue vaccine in healthy children in Asia: a phase 3, randomised, observer-masked, placebo-controlled trial. Lancet. 2014 Oct 11;384(9951):1358–1365.

5) Villar et al. Efficacy of a Tetravalent Dengue Vaccine in Children in Latin America. N Engl J Med. 2015 Jan 8;372(2):113-23.

6) Hadinegoro et al. Efficacy and Long-Term Safety of a Dengue Vaccine in Regions of Endemic Disease N Engl J Med. 2015 Sep 24;373(13):1195-206.

7) Halsted SB. Dengue antibody-depenedent enhancement: knows and unknows. Microbiol Spectr. 2014 Dec;2(6).

8) Dengue Vaccine: WHO position paper – July 2016. Disponível em: http://www.who.int/wer/2016/wer9130.pdf?ua=1 Acesso em 11/12/2017.

9) Gailhardou S et al. Safety Overview of a Recombinant Live-Attenuated Tetravalent Dengue Vaccine: Pooled Analysis of Data from 18 Clinical Trials. PLoS Negl Trop Dis. 2016 Jul 14;10(7).

10) Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Vacina dengue: esclarecimentos. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/web/guest/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/vacina-dengue-esclarecimentos/219201 Acesso em 12/12/2017.

11) Dengvaxia – Bula do produto. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/index.asp. Acesso em 11/12/2017.

12) GACVS statement on Dengvavia® (CYD-TDV). December 7, 2017. Disponível em: http://www.who.int/vaccine_safety/committee/GACVS-StatementonDengvaxia-CYD-TDV/en/ Acesso em 17/07/2017.

16 jan 2018

Posicionamento: atualizações de bula da vacina Dengvaxia®

Recentemente, o laboratório Sanofi Pasteur, fabricante da Dengvaxia®, submeteu à ANVISA dados de pesquisa de seguimento de cinco anos que sugerem que a vacinação de pessoas não previamente infectadas por vírus dengue (soronegativas) poderia acarretar aumento de risco para hospitalização pela dengue e o desenvolvimento de doença clinicamente grave (predominantemente grau I e II da febre hemorrágica da dengue – OMS, 1997).

Os resultados, ainda que preliminares, apontam um risco traduzido em cinco casos de hospitalização para cada 1.000 indivíduos soronegativos vacinados e em dois casos de dengue clinicamente grave para cada 1.000 indivíduos soronegativos vacinados.

​Leia o posicionamento da SBIm sobre os achados aqui. Em breve, uma Nota Técnica será publicada.

Fonte: https://sbim.org.br/noticias/819-posicionamento-atualizacoes-de-bula-da-vacina-dengvaxia

16 jan 2018

Febre amarela


Fatos essenciais

  • A febre amarela é uma doença hemorrágica viral aguda transmitida por mosquitos infectados. O adjectivo “amarelo” designa a tonalidade da pele que afecta alguns doentes.
  • Os sintomas da febre amarela incluem febre, dores de cabeça, icterícia, dores musculares, náuseas, vómitos e fadiga.
  • Uma pequena percentagem de doentes que contraem o vírus revelam sintomas graves e cerca de metade deles morrem no prazo de 7 a 10 dias.
  • Este vírus é endémico nas zonas tropicais da África e na América Central e do Sul.
  • Desde o lançamento da Iniciativa contra a Febre Amarela, em 2006, foram realizados progressos significativos no combate a esta doença na África Ocidental e mais de 105 milhões de pessoas foram vacinadas em campanhas de vacinação em massa. Em 2015, não foram notificados surtos de febre amarela na África Ocidental.
  • As grandes epidemias ocorrem quando pessoas infectadas introduzem o vírus em zonas densamente povoadas, com elevada densidade de mosquitos e onde a maioria das pessoas tem pouca ou nenhuma imunidade, por não estarem vacinadas. Nestas condições, os mosquitos infectados transmitem o vírus de pessoa para pessoa.
  • A febre amarela é evitada por uma vacina extremamente eficaz, que é segura e economicamente acessível. Uma dose única da vacina da febre amarela é suficiente para conferir uma imunidade sustentada e uma protecção para toda a vida contra esta doença, não sendo necessário uma dose de reforço desta vacina. Esta vacina fornece uma imunidade eficaz no prazo de 30 dias a 99% das pessoas vacinadas.
  • Um bom tratamento de apoio nos hospitais melhora as taxas de sobrevivência. Não há actualmente nenhum medicamento antiviral específico contra a febre amarela.

Sinais e sintomas

Uma vez contraído, o vírus da febre amarela mantém-se em incubação no corpo durante 3 a 6 dias. Muitas pessoas não apresentam sintomas, mas quando estes ocorrem, os mais comuns são febre, dores musculares, sobretudo nas costas, dores de cabeça, perda de apetite, náuseas ou vómitos. Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem após 3 ou 4 dias.

No entanto, uma baixa percentagem de doentes entra numa segunda fase mais tóxica no espaço de 24 horas, após a recuperação dos sintomas iniciais. Voltam as febres altas e são afectados vários órgãos, normalmente o fígado e os rins. Nesta fase, é provável que as pessoas desenvolvam icterícia (amarelecimento da pele e dos olhos, daí o nome “febre amarela”), urina escura e dores abdominais com vómitos. Pode ocorrer sangramento da boca, nariz, olhos ou estômago. Metade dos doentes que entram na fase tóxica morrem no período de 7 – 10 dias.

A febre amarela é difícil de diagnosticar, especialmente durante a fase precoce. A doença mais grave pode ser confundida com paludismo grave, leptospirose, hepatite viral (especialmente nas formas fulminantes), outras febres hemorrágicas, infecções com outros flavivírus (e.g., febre hemorrágica do dengue) e envenenamento.

Os testes de sangue (RT-PCR) podem, por vezes, detectar o vírus na fase precoce da doença. Nas fases mais tardias da doença, é necessário fazer o teste para identificar anticorpos (ELISA e PRNT).

Populações de risco

Quarenta e sete países da África (34) e da América Central e do Sul (13) ou são endémicos ou têm zonas de febre amarela endémica. Um estudo de modelação, baseado em fontes de dados africanas, estimou que o fardo da febre amarela durante 2013 foi de 84 000–170 000 casos graves e 29 000–60 000 mortes.

Ocasionalmente, os viajantes que visitam países com febre amarela endémica podem trazer a doença para países livres de febre amarela. A fim de evitar esta importação da doença, muitos países exigem uma prova da vacinação contra a febre amarela, antes de passarem um visto, particularmente se os viajantes são provenientes ou visitaram zonas de febre amarela endémica.

Nos séculos anteriores (séc. XVII a XIX), a febre amarela foi trazida para a América do Norte e Europa, causando enormes surtos que destruíram as economias e o desenvolvimento, tendo, em certos casos, dizimado as populações.

Transmissão

O vírus da febre amarela é um arbovírus do género flavivírus e é transmitido pelos mosquitos pertencentes às espécies Aedes e Haemogogus. As diferentes espécies de mosquitos vivem em habitats diferentes – alguns vivem em torno as casas (domésticos), outros na selva (selvagens) e alguns em ambos os habitats (semi-domésticos). Há 3 tipos de ciclos de transmissão:

  • Febre amarela selvática (ou da selva): nas florestas tropicais, os macacos, que são o principal reservatório da febre amarela, são mordidos por mosquitos selvagens que passam o vírus para outros macacos. Ocasionalmente, os humanos que trabalham ou viajam pela floresta são mordidos por mosquitos e contraem a febre amarela.
  • Febre amarela intermédia: neste tipo de transmissão, os mosquitos semi-domésticos (os que proliferam tanto na selva como junto das casas) infectam tanto os macacos como as pessoas. O maior contacto entre as pessoas e os mosquitos infectados gera uma maior transmissão e muitas aldeias separadas numa determinada zona podem desenvolver surtos em simultâneo. Este é o tipo mais comum de surtos em África.
  • Febre amarela urbana: as grandes epidemias ocorrem quando pessoas infectadas introduzem o vírus em zonas densamente povoadas, com elevada densidade de mosquitos, e onde a maioria das pessoas tem pouca ou nenhuma imunidade, por não estarem vacinadas. Nestas condições, os mosquitos infectados transmitem o vírus de pessoa para pessoa.

Tratamento

Um tratamento correcto e de apoio nos hospitais melhora as taxas de sobrevivência. Presentemente, não existe um medicamento antiviral específico para a febre amarela, mas há cuidados específicos para tratar a desidratação, a insuficiência hepática e renal e a febre, que melhoram os resultados. As infecções bacterianas associadas podem ser tratadas com antibióticos.

Prevenção

1. Vacinação

A vacinação é o meio mais importante para evitar a febre amarela. Nas zonas de alto risco, onde a cobertura vacinal é baixa, o reconhecimento e o controlo rápido dos surtos, usando a vacinação em massa, é fundamental para evitar as epidemias. É importante vacinar a maioria (80 % ou mais) da população de risco, para evitar a transmissão numa região com um surto de febre amarela.

São usadas várias estratégias de vacinação para proteger as pessoas contra os surtos: vacinação infantil de rotina; campanhas de vacinação em massa destinadas a aumentar a cobertura nos países de risco; e vacinação das pessoas que viajam para zonas de febre amarela endémica.

A vacina da febre amarela é segura e comportável e uma dose única confere protecção para toda a vida contra a doença, não sendo necessária uma dose de reforço.

São raros os relatos de efeitos secundários graves da vacina da febre amarela. As taxas de eventos adversos graves depois da vacinação (AEFI), quando a vacina ataca o fígado, rins ou sistema nervoso, obrigando a hospitalização, estão entre 0,4 e 0,8 por 100 000 pessoas vacinadas.

O risco é maior para as pessoas com mais de 60 anos de idade e para quem tiver imunodeficiência grave devida a HIV/AIDS sintomática ou outras causas, ou com problemas do timo. As pessoas com mais de 60 anos de idade devem receber a vacina após cuidadosa avaliação da relação risco-benefício.

As pessoas normalmente excluídas da vacina incluem:

  • Bebés com menos de 9 meses, excepto durante uma epidemia, situação em que os bebés entre 6-9 meses, em zonas onde o risco de infecção é elevado, também devem ser vacinados;
  • Mulheres grávidas – excepto durante um surto de febre amarela, quando o risco de infecção é elevado;
  • Pessoas com alergias graves à proteína do ovo; e
  • Pessoas com imunodeficiência grave por HIV/AIDS sintomática ou outras causas ou que tenham um problema de timo.

De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), os países têm o direito de pedir aos viajantes que apresentem um certificado de vacinação contra a febre amarela. Se existirem razões médicas para não ser vacinado, isso terá de ser certificado pelas autoridades competentes. O RSI é um quadro legalmente vinculativo para travar a propagação de doenças infecciosas e outras ameaças para a saúde. Exigir aos viajantes um certificado de vacinação depende do critério de cada Estado Parte e nem todos os países actualmente o exigem.

2. Controlo dos mosquitos

O risco de transmissão da febre amarela nas zonas urbanas pode ser reduzido, eliminando os potenciais locais de reprodução dos mosquitos, através da aplicação de larvicidas aos reservatórios de água e outros locais onde exista água estagnada. A pulverização de insecticidas para matar os mosquitos adultos durante epidemias urbanas pode ajudar a reduzir o número de mosquitos, reduzindo assim também as potenciais fontes de transmissão da febre amarela.

Historicamente, as campanhas de controlo dos mosquitos conseguiram eliminar o Aedes aegypti, o vector da febre amarela urbana, da maior parte das regiões da América Central e do Sul. Contudo, o Aedes aegypti recolonizou zonas urbanas na região, renovando o risco de febre amarela urbana. Os programas de controlo dos mosquitos visando os mosquitos selvagens nas zonas florestais não têm efeito prático na prevenção a transmissão da febre amarela das florestas (ou selvática).

3. Preparação e resposta às epidemias

A detecção imediata e a rápida resposta à febre amarela, através de campanhas de vacinação de emergência, são essenciais para controlar os surtos. No entanto, a subnotificação constitui uma preocupação – o verdadeiro número de casos está estimado em 10 a 250 vezes a notificação actual.

A OMS recomenda que todos os países de risco tenham, pelo menos, um laboratório nacional onde se possam fazer análises de sangue básicas para a febre amarela. Um caso de febre amarela laboratorialmente confirmado numa população não vacinada é considerado um surto. Um caso confirmado em qualquer contexto deve ser exaustivamente investigado, particularmente numa zona onde a maior parte da população tenha sido vacinada. As equipas de investigação devem avaliar e responder ao surto com medidas de emergência e planos de vacinação a mais longo prazo.

Resposta da OMS

A OMS é o Secretariado do Grupo de Coordenação Internacional do Fornecimento de Vacinas contra a Febre Amarela (GCI). O GCI mantém uma reserva de emergência de vacinas da febre amarela, para garantir uma rápida resposta aos surtos nos países de alto risco.

Em 2006, foi lançada a Iniciativa da Febre Amarela, para garantir uma reserva mundial de vacinas e garantir a imunidade da população através da vacinação. A Iniciativa, liderada pela OMS e apoiada pela UNICEF e os governos nacionais, dedica um atenção especial aos países altamente endémicos de África, onde a doença é mais proeminente. Desde que a Iniciativa foi lançada, fizeram-se consideráveis progressos na África Ocidental, para controlar a doença. Mais de 105 milhões de pessoas foram vacinadas e não foram notificados quaisquer surtos de febre amarela na África Ocidental, durante o ano de 2015.

A Iniciativa recomenda a inclusão da vacina da febre amarela na vacinação infantil de rotina (começando aos 9 meses de idade), implementando campanhas de vacinação em massa nas zonas de alto risco, para todas as pessoas com 9 meses ou mais, e a manutenção das capacidades para a vigilância e resposta aos surtos.

Entre 2007 e 2016, 14 países levaram a cabo campanhas preventivas de vacinação contra a febre amarela. A Iniciativa da Febre Amarela é apoiada financeiramente pela Aliança Mundial para as Vacinas e a Vacinação (Aliança GAVI), os Serviços de Ajuda Humanitária da Comunidade Europeia (ECHO), o Fundo Central de Resposta às Emergências (CERF), ministérios da saúde e parceiros a nível nacional.

Fonte: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs100/pt/

27 out 2017

O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2017 | 09h38

Medida mais eficaz contra a doença é a vacinação

1. Como a febre amarela é transmitida?

Pela picada de mosquitos portadores do vírus de febre amarela. Em regiões de campo e floresta, o principal mosquito transmissor é o Haemagogus. O vírus também pode ser transmitido pelo Aedes aegypti, na forma urbana da doença. Casos de transmissão urbana, no entanto, não são registrados no País desde 1942.

2. A febre amarela é transmitida de pessoa para pessoa?

Não.

3. Qual é o papel de primatas na transmissão?

Primatas podem se contaminar com o vírus, exercendo também o papel de hospedeiros. Se picados, os animais transmitem o vírus para o mosquito, aumentando, assim, as chances de propagação da doença.

4. Quais sintomas provocados pela febre amarela?

A febre amarela é classificada como uma doença infecciosa grave. Ela provoca calafrios, dor de cabeça, dores nas costas e no corpo, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Os primeiros sintomas aparecem de 3 a 6 dias depois da infecção.

5. Como a doença evolui? 

Para maior parte dos pacientes, os sintomas vão perdendo a intensidade a partir do 3º ou 4º dia da infecção. Em alguns casos, no entanto, a doença entra em sua fase considerada tóxica.

6. O que ocorre nos casos graves?

Cerca de 10% dos pacientes desenvolvem a forma grave da doença. Ela geralmente ocorre depois de um período breve de melhora dos primeiros sintomas da doença. A febre reaparece, há hemorragias, insuficiência hepática, insuficiência renal. Um dos sintomas é a coloração amarelada da pele e do branco dos olhos. Também não é incomum pacientes apresentarem vômito com sangue, um sintoma da hemorragia. Cerca de 50% dos pacientes que desenvolvem a forma grave da doença morrem num período entre 10 e 14 dias.

7. Qual é o tratamento para a doença?

Não há um tratamento específico para febre amarela. A medida mais eficaz é a vacinação, para evitar a contaminação da doença.

8. A vacina deve ser tomada por toda a população?

É recomendada para pessoas de áreas de risco em 19 Estados. De forma temporária, a recomendação foi estendida a cidades do Rio, Espírito Santo, São Paulo e Bahia. Na capital paulista, a dose está sendo recomendada para quem vive ou frequenta a zona norte. A prioridade imediata é para quem vive na região do Horto.

9.Já sou vacinado. Preciso repetir a dose?

Não. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, estudos mostram que uma só aplicação é capaz de dar imunidade por toda a vida. O Brasil era o único país a adotar ainda o esquema vacinal em duas doses.

10. Quais são as reações possíveis à vacina?

Os efeitos colaterais graves são raros. Mas 5% da população pode desenvolver sintomas como febre, dor de cabeça e dor muscular de 5 a 10 dias. É infrequente a ocorrência de reações no local da aplicação.

11. Quem tem maior risco de evento adverso relacionado à vacina da febre amarela?

Crianças menores de 6 meses, idosos, gestantes, imunodeprimidos, mulheres que estão amamentando e pessoas com alergia grave à proteína do ovo.

Link para a matéria: http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,tire-suas-duvidas-sobre-a-febre-amarela,70002058136

 

04 out 2017

A vacina contra Sarampo deve ser realizada aos 12 meses de vida, devendo ser feita uma segunda dose entre 15 e 24 meses de vida, sendo considerado vacinado, o indivíduo que receber 2 doses da vacina ao longo da vida. A vacina que protege contra o Sarampo, protege contra mais 2 doenças, a Caxumba e a Rubéola.

Estamos na Primavera, estação onde existe aumento dos casos de Catapora, verifique se sua vacinação está em dia, consulte-nos para maiores informações.

Europa registra quase 15 mil casos de sarampo entre janeiro de 2016 e julho

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou no dia 22 de setembro mais um boletim epidemiológico (íntegra aqui) sobre a epidemia de sarampo que atinge a Europa. De acordo com o órgão, de janeiro de 2016 ao fim de julho deste ano, foram confirmados 14.591 casos no continente. Desses, 64% (9.386) aconteceram em 2017.

Entre os 42 países que reportaram episódios, a Itália e a Romênia, com 4.524 e 4.276 infectados, respectivamente, foram os mais afetados. Apesar de os números serem semelhantes, a distribuição temporal é distinta. Ao passo que na Romênia os registros caíram em relação a 2016, na Itália houve mais de 300% de aumento. Alemanha, Bélgica, Bulgária, Espanha, França, República Tchca, Tadjiquistão e Ucrânia também registraram alta expressiva.

Paralelamente, foram confirmados nas Américas — região declarada livre de sarampo há cerca de 1 ano —167 casos importados ou com origem desconhecida:  Estados Unidos (119), Canadá (45) e Argentina (3). Além disso, há mais 84 casos suspeitos em investigação na Venezuela.

O relatório é mais um demonstrativo da alta capacidade de disseminação do sarampo e do risco de reintrodução do vírus no Brasil se viajantes contaminados entrarem em contato com pessoas não imunizadas, como ocorreu no Ceará 2014 e 2015 (https://sbim.org.br/noticias/488-encerrado-surto-de-sarampo-no-ceara).

Diante do fato, a SBIm reforça que é fundamental manter a caderneta em dia e que as pessoas que não têm a vacinação documentado ou certeza se completaram o esquema devem se imunizar. Não há perigo em tomar uma mesma vacina mais de uma vez.

Fonte: Site SBim: https://sbim.org.br/noticias/798-europa-registra-quase-15-mil-casos-de-sarampo-entre-janeiro-de-2016-e-julho

Publicado: 27 Setembro 2017
Última Atualização: 27 Setembro 2017

18 set 2017

Feriados prolongados e férias são períodos em que as viagens aumentam. Para evitar contratempos relacionados à saúde e receber orientações sobre o que fazer para se prevenir, é importante consultar um especialista!

Aqui na Vip Imune temos um médico infectologista especializado em medicina do viajante, consulte-nos!

Veja mais em:

https://saude.abril.com.br/medicina/vacinas-que-voce-deveria-tomar-em-viagem/