13 abr 2021

Conheça as indicações, bem como as contraindicações e saiba quais são os benefícios e os possíveis efeitos colaterais da vacina DTPA + IPV

vacina DTPA + IPV é utilizada para reduzir os casos de difteria, tétano, coqueluche e poliomielite, e é aplicada em crianças a partir dos 3 anos de idade e em adolescentes e adultos, para o reforço da imunização a cada 10 anos.

Para se ter uma ideia do panorama de casos de coqueluche, por exemplo, entre 2018 e 2019, o Sistema de Agravos de Notificação (SINAN) recebeu mais de 13 mil casos suspeitos da doença, sendo que 3.676 foram confirmados, de acordo com o Ministério da Saúde.

Destes casos, segundo o mesmo documento, os estados de São Paulo, Pernambuco, Paraná e Minas Gerais registraram o maior número de pacientes com coqueluche.

Vale destacar que a enfermidade se manifesta por meio de uma tosse com muitas semanas de duração, que é iniciada de maneira branda junto com a coriza leve e, em seguida, se intensifica e se apresenta na forma de acessos, seguida de ruído respiratório, característico da doença e denominado de “guincho”.

Diante disso, a vacina DTPA + IPV é uma das principais maneiras de evitar a coqueluche e outras enfermidades. Saiba mais sobre a imunização.

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Conheça as principais características da Vacina DTPA + IPV

Composição

vacina DTPA + IPV é um imunizante inativado, formulado com os toxóides diftérico e tetânico (produzidas pelas bactérias causadoras das doenças), componentes da cápsula da bactéria da coqueluche, vírus da poliomielite inativados tipos 1, 2 e 3, sal de alumínio como adjuvante, 2-fenoxietanol, polissorbato 80, cloreto de sódio e água para aplicação.

Indicações

A partir de diversas evidências científicas, a infecção pela B. pertussis (coqueluche) não confere imunidade duradoura. Por isso, a vacinação deve ser realizada a cada 10 anos e a primeira dose deve ser administrada em crianças entre 3 e 4 anos de idade.

Ainda é importante destacar que, na prática, após 1 ano da aplicação da vacina DTPA + IPV, a proteção contra casos graves de coqueluche é próxima a 100%, o que demonstra que a imunização é um importante aliado contra a enfermidade.

Contraindicações

Pessoas que apresentaram anafilaxia após uso de componentes da vacina ou dose anterior não devem receber a vacina DTPA + IPV.

Efeitos colaterais

Ao receberem a imunização, algumas pessoas podem apresentar efeitos colaterais, como:

  • Cefaleia

  • Sonolência

  • Dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação

  • Perda de apetite

  • Irritação

  • Febre

Em alguns casos raros, podem ocorrer reações como o aumento dos gânglios, qualidade ruim de sono, apatia, garganta seca, diarreia, vômito, dor abdominal, náusea e cansaço.

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Conte com a VIP Imune para cumprir o calendário de imunização

Agora que você já conhece as principais características da vacina DTPA + IPV, é importante cumprir o calendário de vacinação e imunização em uma instituição competente e comprometida com o bem-estar dos pacientes como a Vip Imune.

Contamos com uma equipe qualificada e atenciosa na área de imunização, corporativa e familiar, e com profissionais experientes, o que resulta em um atendimento humanizado e completo para todas as pessoas, desde bebês até a terceira idade.

Entre em contato com os nossos profissionais e saiba mais!

30 mar 2021
câncer na infância

Entenda a importância de diagnosticar a doença no estágio inicial e conheça os principais sintomas e tratamentos para combater o câncer na infância

Entender e colocar em prática as ações sobre como combater o câncer na infância é fundamental para evitar a enfermidade, que é a principal causa de morte na faixa etária entre 1 e 19 anos, segundo o Instituto Nacional de Câncer – Inca.

Além disso, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, aproximadamente 9,6 milhões de pessoas morrem de câncer por ano em todo o mundo e a previsão é de que em 2030, o número de casos de câncer infantojuvenil atinja 600 mil.

No Brasil, surgem 12,5 mil novos casos por ano, sendo que 6,2 mil crianças são tratadas em hospitais públicos e aproximadamente 4 mil morrem sem ao menos receber o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento para tratar a doença.

Diante deste cenário, saiba como combater o câncer na infância.

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Entenda como combater o câncer na infância

O câncer infantil é diferente do adulto?

Geralmente, o câncer infantil afeta as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação. Já nos adultos, a doença afeta as células que recobrem os diferentes órgãos.

Por isso, resumidamente, os cânceres que mais afetam as crianças são os do sangue, como leucemia, os do sistema linfático, como o linfoma, e os do sistema nervoso central, como os tumores originados no cérebro e na medula espinhal.

Outra informação para entender a importância de combater o câncer na infância é que, na maioria dos casos, a doença é mais agressiva e se desenvolve mais rápido nas crianças.

Além disso, em muitos casos não é possível realizar cirurgia, mas o tratamento é melhor respondido e considerado de bom prognóstico nas crianças.

Como a doença aparece?

Até o momento, existem poucas evidências científicas sobre a origem do câncer na infância, principalmente por ser raro, o que limita os estudos e as estatísticas.

No entanto, o INCA considera a doença como um mal genético e justamente por não se saber muito, é preciso ter atenção com os primeiros sintomas que podem ser cruciais para a cura.

Quais são os sintomas?

Antes de apresentar os primeiros e principais sintomas da doença e entender mais sobre como combater o câncer na infância, é preciso saber que o diagnóstico no estágio inicial da enfermidade é essencial para a cura.

Por isso, é muito importante prestar atenção nos principais sintomas que são:

  • Infecções constantes

  • Palidez

  • Dores nos ossos

  • Fraqueza

  • Suor noturno

  • Aparição de gânglios aumentados no pescoço, axila e virilha

  • Dores de cabeça e distúrbios de visão

  • Vômitos

Como é tratado o câncer infantil?

Na maioria dos casos, a doença é tratada com quimioterapia, que hoje é a responsável pela cura de cerca de 70% das crianças com câncer, radioterapia e, em alguns casos, cirurgia.

É necessário que o tratamento seja realizado em um centro especializado, particular ou público, e que seja uma instituição de referência no combate ao câncer na infância e coordenado por uma equipe de especialistas.

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Conte com a Vip Imune

Agora que você já sabe a importância do diagnóstico no estágio inicial para combater o câncer na infância, é preciso conhecer também instituições que cuidem da sua saúde e de sua família, desde o nascimento até a terceira idade.

Nesse caso, a Vip Imune Clinica de Imunizações tem a proposta de atuar na imunização familiar e corporativa, agregando valor, qualidade e informação a todos.

Contamos com uma equipe qualificada e atenciosa na área de imunização e com profissionais experientes, o que resulta em um atendimento humanizado e completo para todas as pessoas, desde bebês até terceira idade.

Entre em contato com os nossos profissionais e programe sua imunização, de acordo com o calendário de vacinação.

24 mar 2021
tuberculose

Entenda como a vacina BCG é a principal aliada das pessoas para evitar a tuberculose e conheça outros métodos importantes para prevenir-se da doença

Em 24 de março é comemorado o Dia Mundial de Combate à Tuberculose e essa data foi escolhida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) pois neste dia, em 1882, Robert Koch descobriu o bacilo causador da doença, que tem a vacina BCG como melhor opção para prevenção.

Apesar de ser antiga, a tuberculose é considerada enfermidade reemergente desde 1993 pela OMS, que ainda decretou emergência global por conta da doença.

Ainda de acordo com a organização, duas bilhões de pessoas estão infectadas pelo Mycobacterium tuberculosis, com previsão de que 9 milhões desenvolvam a doença e 2 milhões morram por ano.

Somente em 2019, foram 1,4 milhões de mortes causadas pela tuberculose, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Diante deste cenário emergencial, é preciso investir urgentemente na vacina BCG para evitar e erradicar a doença. Saiba mais!

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Entenda como prevenir a tuberculose

Vacina BCG

A vacina BCG (bacilo Calmette-Guérin), que no Brasil é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), protege as crianças das variantes mais graves da enfermidade, como a tuberculose miliar e a meníngea.

Nesse sentido, a vacina BCG é aplicada nas maternidades ou nas salas de vacinação das unidades básicas de saúde e deve ser dada às crianças ao nascer ou, no máximo, até os quatro anos, 11 meses e 29 dias.

Tratamento da infecção

Em casos em que a pessoa não tomou a vacina e é diagnosticada com o Mycobacterium tuberculosis, o tratamento da Latente da Tuberculose é uma importante estratégia de prevenção para evitar o desenvolvimento da doença ativa, principalmente nos contatos domiciliares, nas crianças e nas pessoas em condições especiais, como as que têm:

  • Imunossupressão pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV)
  • Comorbidades associadas
  • Que fazem uso de medicamentos específicos.

Por isso, é necessário que a equipe de saúde realize a avaliação dos contatos de pessoas com tuberculose e disponibilize o exame para diagnóstico da ILTB aos demais grupos populacionais, mediante aos critérios para indicação do tratamento preventivo.

Controle de infecção

Por fim, a implementação de medidas de controle de infecção também faz parte das ações de prevenção da tuberculose. Confira as principais:

  • Manter ambientes bem ventilados e com entrada de luz solar
  • Proteger a boca com o antebraço ou com um lenço ao tossir e espirrar
  • Evitar aglomerações

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Conheça a VIP Imune

Agora que você já sabe os principais métodos de combate à tuberculose, inclusive a vacina BCG que é oferecida gratuitamente pelo SUS, é importante conhecer uma empresa séria, com experiência e que ofereça todo o calendário de vacinação e imunização.

Nesse sentido, a Vip Imune Clinica de Imunizações foi idealizada e planejada com a proposta de atuar na imunização familiar e corporativa, agregando valor, qualidade e informação a todos.

Contamos com uma equipe qualificada e atenciosa na área de imunização e com profissionais experientes, o que resulta em um atendimento humanizado e completo para todas as pessoas, desde bebês até terceira idade.

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30 abr 2020
Semana Mundial de Imunização

A vacinação é uma importante aliada na preservação da saúde. Quanto maior a cobertura vacinal, mais facilmente conseguimos controlar a propagação de diversas doenças e assim diminuir a taxa de mortalidade, principalmente infantil.

De 24 a 30 de abril, ocorre em todo o mundo a Semana Mundial de Imunização. Para celebrar a data, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) elaborou uma carta para pediatras e população em geral, na qual destaca a importância primordial das vacinas como instrumento de promoção de saúde. Elaborada pela presidente da SBP, dra. Luciana Rodrigues Silva, e pelo presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP, dr. Renato Kfouri, a publicação soma-se aos esforços da campanha empreendida globalmente nesta semana.

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O DOCUMENTO

Conforme salienta o texto, neste ano, os temas de ênfase da Semana Mundial de Imunização são “#VaccinesWork” e “Ame, Confie e Proteja”. As frases têm o intuito de destacar o valor das imunizações, os avanços já conquistados por meio dessas ferramentas e os desafios enfrentados nos dias de hoje.

“Após a ampla utilização de vacinas em todo o mundo, obtivemos a erradicação da varíola, assim como observamos agora o processo de possível eliminação da pólio. Além disso, controlamos o sarampo, a febre amarela, a difteria e tantas outras doenças que eram responsáveis por elevadas taxas de mortalidade infantil globalmente”, afirma a publicação.

COBERTURA VACINAL

A carta também traz um alerta a respeito das sucessivas quedas das taxas de vacinação de diferentes países, inclusive do Brasil. De acordo com os autores, um grave risco está associado a esse comportamento, uma vez que o não cumprimento do calendário de vacinação estabelecido pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) pode incorrer no ressurgimento de doenças já extintas do território nacional.

“A falsa sensação de proteção, o desconhecimento dos benefícios da vacinação, o medo de eventos adversos, a dificuldade de acesso e as chamadas fake news têm sido apontadas por vários estudos como as principais causas dessa queda das coberturas vacinais”, descreve o texto.

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A publicação da SBP ressalta ainda a participação ativa da entidade nas discussões a cerca das melhores práticas em imunizações e na divulgação da vacinação como instrumento promotor de saúde indispensável a todos os grupos etários, sempre destacando o papel de protagonismo do pediatra como fonte confiável de informação.

Conforme detalha o documento, o PNI é reconhecido como um dos melhores programas de vacinação do mundo. No entanto, os desafios ainda são enormes, por isso, é fundamental colaborar intensamente para conscientizar a população e alcançar as metas de imunização de todas as vacinas. “É tempo de comemorar os avanços, mas também de agir!”, finaliza a carta.

Fonte: SBP

24 fev 2020
meningites

Conhece o meningococo? 

O meningococo é uma bactéria que pode causar meningite e septicemia, duas infecções graves. Os sintomas mais comuns são: febre alta e repentina, dor de cabeça intensa, rigidez do pescoço, vômitos e em alguns casos sensibilidade à luz (fotofobia) e confusão mental. Além desses sintomas, também pode acarretar cegueira, surdez, problemas neurológicos e amputação de membros.  Quando alojado na corrente sanguínea o meningococo é ainda mais agressivo, sendo letal em 7 a cada 10 pacientes.

Existem cinco tipos mais comuns no mundo, sendo eles: A, B, C, W e Y.

O que é meningite?

É a inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal e pode ser causada por diversos agentes, a forma mais comum da doença é a meningite viral, para as meningites virais não existe vacina. Já as formas mais graves da doença são derivadas de bactérias que podem levar pacientes a óbito em até 24 horas.

O que é septicemia meningocócica?

Acontece quando a meningocócica se aloja na corrente sanguínea e se multiplica danificando a parede dos vasos sanguíneos e causando sangramento na pele e órgãos.

No Brasil o tipo C é o responsável pelo maior número de infecções, porém desde 2010 quando a vacina passou a ser oferecida no serviço público para menores de 5 anos, o percentual de registros por meningite C passou de 70% para 59% em maiores de 5 anos. Com a redução do tipo C o tipo B ganhou força e passou a ser o segundo mais frequente, em menores de 5 anos é responsável por 60% dos casos.

Na América latina o tipo W também tem muita força, na argentina, por exemplo, é o agente causador de mais de 50% dos casos de meningite meningocócica. Próximo à Argentina, em Santa Catarina o tipo W é o responsável por 43% dos tipos.

Essas bactérias são transmitidas de pessoa para pessoa através de gotículas de secreção respiratória e de garganta de portadores (muitas vezes assintomáticos). Beijos, espirros, tosses e o compartilhamento de objetos são meios de fácil transmissão e contaminação.

Atualmente existem no Brasil três vacinas contra o meningococo, são elas: Meningite C que está disponível no serviço publico, Meningocócica ACWY e Meningocócica B, ambas disponíveis somente no serviço privado. São recomendadas na rotina de vacinação infantil a partir dos 2 ou 3 meses e para portadoras de algumas doenças crônicas, independentemente da idade, com recomendação médica.

 

Fonte: https://familia.sbim.org.br/vacinas/vacinas-disponiveis/vacina-meningococica-b

01 ago 2019
mamalgesia

Só de chegar o dia da vacina do bebê as famílias já ficam com o coração apertado por conta da dor. A procura por uma forma de diminuir o incômodo sentido pelos bebês nesse momento chegou ao fim de uma forma simples e natural.

A OMS elaborou um documento recomendando amamentar os lactentes no momento da vacinação e imediatamente após, pois a sucção é analgésica para os bebês. O leite materno contém endorfina, substância química que ajuda a suprimir a dor e também reforça a eficiência da vacina. Além disso a amamentação aumenta a segurança da mãe e diminui a ansiedade.

Recomenda-se colocar o lactente ao seio antes e durante o a vacinação, mantendo-o alguns minutos após o final, e não há com o que se preocupar: a criança não irá associar a amamentação com um momento ruim.

Um estudo feito em 2015 na cidade de Ribeirão Preto demonstrou que o contato pele a pele combinado a amamentação pode potencializar o efeito analgésico, contribuindo para a melhor recuperação do RN após o procedimento de vacinação.

Ou seja, é oficial que a “mamalgesia”, o ato de amamentar a criança durante a vacina é uma forma eficiente de conseguir amenizar a dor do bebê tanto durante o procedimento quanto após.

Notas sobre amamentação:

  1. Não há interferência do aleitamento materno na resposta a nenhuma das duas vacinas orais.
  2. É importante ter em conta a idade do lactente para colocar mãe e bebê em uma posição confortável. Quando se tratar de um lactente pequeno, é conveniente que esteja no colo de sua mãe.
  3. O aleitamento materno, sozinho, não é suficiente para proteger contra doenças infecciosas.
  4. Para melhor efeito, inicie a amamentação 2-5 minutos antes da injeção.
  5. Se o seu bebê necessita de mais uma injeção na outra perna, posicione-o no outro seio. Assegure-se que seu bebê fez a pega correta e está sugando bem antes que a próxima injeção seja dada.
Referências:

LEITE, Adriana Moraes et al. Amamentação e contato pele-a-pele no alívio da dor em recém-nascidos na vacina contra Hepatite B. Revista Eletrônica de Enfermagem, [s.l.], v. 17, n. 3, p.1-8, 30 set. 2015. Universidade Federal de Goias. http://dx.doi.org/10.5216/ree.v17i3.31932.

http://www.aleitamento.com/amamentacao/conteudo.asp?cod=2382

16 jan 2018

Para ler o documento original, clique aqui.

NOTA TÉCNICA – VACINA DENGUE – 19/12/2017 

A Dengue é a arbovirose de maior impacto em saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) houve um aumento de casos notificados na década de 1996-2005, de 0,4 para 1,3 milhões, atingindo 2,2 milhões em 2010 e 3,2 milhões de casos em 2015. Estima-se que ocorram anualmente no mundo cerca de 50 a 100 milhões de casos sintomáticos, 3,2 milhões de casos graves e 9 mil mortes, a maioria ocorrendo em países em desenvolvimento1.

Em dezembro de 2015 a primeira vacina dengue (Dengvaxia® – Laboratório Sanofi Pasteur) foi licenciada no Brasil e outras agências regulatórias de vários países da Ásia e América Latina também aprovaram seu uso. Até o momento a vacina está licenciada em 19 países2.

Trata-se de uma vacina de vírus vivos atenuados, recombinante, quimérica, que utiliza como estrutura básica o vírus vacinal da febre amarela (cepa 17D) com substituição dos genes responsáveis pela codificação das proteínas de pré-membrana (prM) e do envelope (E) por aqueles de cada um dos quatro sorotipos dos vírus dengue nesta matriz3.

Os perfis de segurança e eficácia para os quatro sorotipos foram demonstrados em vários ensaios clínicos, especialmente os de fase 3, na Ásia e América Latina (CYD 14 e 15, respectivamente), que envolveram mais de 30.000 crianças e adolescentes de 2 a 16 anos de idade4,5,6.

Como qualquer nova vacina algumas questões-chave como: efetividade, duração de proteção induzida pela vacina, necessidade de doses de reforço, possibilidade de proteção indireta, eventos adversos raros, segurança em longo prazo e análise de custo efetividade precisam ser melhores compreendidos através de estudos de seguimento (fase tardia) e pós-licenciamento (fase 4).

A dengue tem uma complexidade de fatores que são determinantes na avaliação da eficácia e segurança de vacinas candidatas contra a doença: epidemiológicos, distribuição de sorotipos, soroprevalência na população, diferentes eficácias por sorotipos e eventual possibilidade de indução de formas mais graves da doença após a vacinação de indivíduos não expostos previamente (naïve) – exacerbação da doença dependente de anticorpos – ADE do inglês “antibody-dependent-enhancement” – quando esses forem infectados posteriormente pelo vírus da dengue7.

A OMS, em seu position paper de 2016, preconiza que o uso da vacina dengue, hoje disponível, deva ser considerado somente em regiões de alta endemicidade da doença, sendo que o melhor benefício da imunização ocorrerá em localidades onde a soroprevalência para dengue, nos grupos etários alvo da vacinação, seja superior a 70%. Em locais com taxas entre 50 e 70% seu uso pode ser aceitável, embora o impacto do programa possa ser menor. A utilização da vacina em populações com soroprevalência inferior a 50% não é recomendada8.

Essa orientação, baseada em critérios de soroprevalência, é feita em função do diferente desempenho da vacina em soronegativos (naïve para dengue) comparada com soropositivos (previamente expostos à dengue) no momento da vacinação, e o potencial risco em longo prazo de dengue grave nesses indivíduos8.

No estudo CYD 14, envolvendo 10.275 crianças e adolescentes de 2 a 14 anos de idade na Ásia (Indonésia, Malásia, Tailândia, Filipinas e Vietnã), durante o terceiro ano de acompanhamento, observou-se um maior risco de hospitalização por dengue no grupo de crianças de 2 a 5 anos de idade que receberam a vacina Dengvaxia® em comparação ao grupo controle9.

Não se conhecia, até então, se este risco aumentado no grupo de crianças de 2 a 5 anos estava relacionado à faixa etária, ao status sorológico ou ambos os fatores. A hipótese mais plausível sugeria que a vacinação induziria um prime no sistema imune similar ao induzido após uma primo-infecção pelo vírus da dengue, oferecendo uma proteção de curto período após a vacina, que seria seguida de uma perda de

imunidade protetora com o tempo. Ainda de acordo com esta hipótese, entre os soronegativos vacinados, a resposta à primeira infecção natural após a vacinação (quando já estivesse na fase de perda de imunidade protetora) desempenharia um papel igual ao observado em uma segunda infecção, propiciando desta forma um maior risco de indução de formas graves da doença. Já na vacinação de soropositivos, quando ocorresse a primeira infecção após a vacinação, a resposta seria similar àquela observada em infecções pós-secundárias (ou seja, na terceira e quarta infecções), quando praticamente não há maior risco de formas graves da doença.

Recentemente foram apresentados dados de uma avaliação complementar, feita pelo próprio laboratório Sanofi Pasteur, que permitiu distinguir os resultados de segurança e de eficácia da vacina de acordo com o status sorológico prévio à vacinação num grupo maior de indivíduos, através de avaliação sorológica, por novo método laboratorial, feita ao término do esquema vacinal (um mês após a terceira dose da vacina). Nessa reanálise dos dados, em indivíduos de todos os grupos etários, soronegativos, vacinados com a vacina Dengvaxia®, observou-se um maior risco de hospitalização por dengue e dengue clinicamente grave ou com sinais de alarme, quando comparado aos participantes do grupo controle10.

Essa avaliação, ainda que preliminar, sugere que aproximadamente 5 casos adicionais de hospitalização e 2 casos adicionais de dengue grave (segundo critérios da OMS – 1997) ocorram para cada mil crianças e adolescentes de 2 a 16 anos de idade soronegativos vacinados, em um segmento de 5 anos, quando comparadas ao risco em não vacinados10.

Essa mesma avaliação projeta o benefício e a segurança da vacinação de indivíduos previamente expostos (soropositivos), onde estima-se uma redução de 15 casos de hospitalização e 4 casos de dengue grave para cada mil vacinados durante o mesmo período de seguimento10.

Os dados reportados motivaram a Agência de Vigilância Sanitária do Brasil (Anvisa) a revisar a bula do produto, incluindo, em precauções, a recomendação da não utilização da vacina em indivíduos soronegativos11.

As Filipinas, país que introduziu a vacinação em seu sistema público em três regiões desde 2016, suspendeu temporariamente seu programa de imunização. No Brasil, o Paraná, que incorporou a vacina em 2016, em 30 municípios com alta incidência da doença, no momento, não fará alterações em seu programa de vacinação.

As Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm), Pediatria (SBP), Infectologia (SBI) e Medicina Tropical (SBMT) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), em conjunto, e com o intuito de orientar seus associados e a comunidade médica em geral, recomendam:

1) A vacina Dengvaxia® não deve ser administrada em indivíduos que não tenham sido previamente infectados pelo vírus da dengue.

2) Aqueles que iniciaram e ainda não completaram o esquema vacinal e desconheciam seu status sorológico prévio à vacinação, devem ter sua avaliação individualizada, já que não se dispõem de dados sobre o risco maior de doença grave de acordo com o número de doses recebidas. Fatores como as características da doença na região onde o paciente vive, a intensidade da transmissão e a idade devem ser considerados na decisão da continuidade ou não do esquema vacinal.

3) A avaliação da utilização da vacina em programas públicos passa a merecer outro olhar, o da avaliação de risco e benefício. Em regiões de alta endemicidade o benefício da imunização pode superar o risco atribuível da vacinação de soronegativos, uma vez que infecções pós-primárias deverão ocorrer independentemente da vacinação.

4) A introdução da vacina dengue em programas públicos torna-se um desafio ainda maior, já que estudos epidemiológicos passam a desempenhar um papel crucial nessa decisão e locais com intenção de introduzir esta vacina dengue devem avaliar sua capacidade de monitorar e avaliar a eficácia e segurança da vacina e, se necessário e possível, aprimorar seus sistemas de vigilância e sistemas de monitorização existentes, especialmente em países de renda média e baixa.

5) Os indivíduos soronegativos para dengue e/ou sem conhecimento prévio do seu status sorológico que foram vacinados devem ser monitorados com maior atenção. Caso algum destes indivíduos vacinados apresente sinais e sintomas sugestivos de dengue, o acesso aos serviços médicos deve ser priorizado para que recebam das equipes médicas uma avaliação e manejo adequados, minimizando desta forma o risco de complicações.

Essas recomendações estão alinhadas com a recente publicação feita pelo Comitê Consultivo Global da OMS sobre Segurança de Vacina (GACVS da sigla em inglês – Global Advisory Committee on Vacine Safety) sobre Dengvaxia®12.

Referências 

1) Dengue: datos, mapas y estadísticas. Organización Panamericana de la Salud. Disponível em: http://www.paho.org/hq/index.php?option=com_topics&view=readall&cid=3274&Itemid=40734&lang=es Acesso em 19/12/2017.

2) Updated Questions and Answers related to information presented in the Sanofi Pasteur press release on 30 November 2017 with regards to the dengue vaccine Dengvaxia®. World Health Organization (WHO) 30th November 2017. Disponível em: http://www.who.int/immunization/diseases/dengue/q_and_a_dengue_vaccine_dengvaxia/en/ Acesso em 12/12/2017.

3) Sabchareon A et al. Protective efficacy of the recombinant, live-attenuated, CYD tetravalent dengue vaccine in Thai school children: a randomised, controlled phase 2b trial. Lancet. 2012; 380: 1559–1567.

4) Capeding MR et al. Clinical efficacy and safety of a novel tetravalent dengue vaccine in healthy children in Asia: a phase 3, randomised, observer-masked, placebo-controlled trial. Lancet. 2014 Oct 11;384(9951):1358–1365.

5) Villar et al. Efficacy of a Tetravalent Dengue Vaccine in Children in Latin America. N Engl J Med. 2015 Jan 8;372(2):113-23.

6) Hadinegoro et al. Efficacy and Long-Term Safety of a Dengue Vaccine in Regions of Endemic Disease N Engl J Med. 2015 Sep 24;373(13):1195-206.

7) Halsted SB. Dengue antibody-depenedent enhancement: knows and unknows. Microbiol Spectr. 2014 Dec;2(6).

8) Dengue Vaccine: WHO position paper – July 2016. Disponível em: http://www.who.int/wer/2016/wer9130.pdf?ua=1 Acesso em 11/12/2017.

9) Gailhardou S et al. Safety Overview of a Recombinant Live-Attenuated Tetravalent Dengue Vaccine: Pooled Analysis of Data from 18 Clinical Trials. PLoS Negl Trop Dis. 2016 Jul 14;10(7).

10) Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Vacina dengue: esclarecimentos. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/web/guest/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/vacina-dengue-esclarecimentos/219201 Acesso em 12/12/2017.

11) Dengvaxia – Bula do produto. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/index.asp. Acesso em 11/12/2017.

12) GACVS statement on Dengvavia® (CYD-TDV). December 7, 2017. Disponível em: http://www.who.int/vaccine_safety/committee/GACVS-StatementonDengvaxia-CYD-TDV/en/ Acesso em 17/07/2017.